Depois de algum tempo de ausência estou de volta para reflectir-mos em conjunto. Despertei de um adormecimento consciente, após verificar a vergonha que esteve prestes a acontecer. A possível retirada do Blog Doutor Enfermeiro, na nossa blogosfera, é uma remeniscência aos tempos da ditadura, da perseguição e da opinião publica livre e democrática.
Não podemos permitir que nos calem. Mais nós enfermeiros, vamos crescer no Sistema de Saúde Português, superando todos os entraves e limitações que nos colocam. Somos muito mais que a soma das nossas partes. Quem está dentro do sistema sabe, como ele sobrevive, quem tem que assegurar os cuidados desde os centros de saúde, aos serviços de saúde mais diferenciados.
Os enfermeiros procuram garantir a excelência e por isso todos os dias desenvolvem projectos inovadores, reflectem sobre as suas práticas, dedicam-se ao estudo e investigação pela frequência de cursos de especialização, de mestrado e de doutoramentos.
Queremos o melhor para os nossos utentes e não somos mercenários da saúde. Contrariamente a muitos vemos a Saúde como o nosso objectivo principal e como a peça mais importante do puzzle quando falamos de cuidados de excelência.
O que temos hoje é um sistema egocêntrico, que percepciona tudo em função da doença, que está estruturado por patologias, que é financiado nessa lógica, impedindo de se visualizar a realidade das coisas. Interessa alguma coisa um hospital fazer 1000 consultas de x especialidade, 1000 exames de x área se no final os seus utentes continuam doentes e a apresentarem um agravamento contínuo do seu estado de saúde.
Vamos mudar o rumo das coisas e optar por um sistema de saúde financiado em função de resultados: clínicos, assistenciais, de esperança de vida, de comorbilidades, de espisódios agudos de doença, que sejam representativos da intervenção de cada um dos profissionais que dele fazem parte.
É impresscendível delinear programas tipo “preço compreensivo” que englobem uma determinada população e que disponibilizam uma oferta de cuidados de saúde, na área preventiva de promoção da saúde, de planeamento familiar, de saúde escolar, etc sendo transversal às necessidades das pessoas em função do ciclo vital e que determine uma intervenção atempada, perspectivando a saúde e a qualidade de vida das pessoas.
Assim falamos de Saúde em Portugal.