3º Congresso Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação para a Nova Rede Hospitalar

Os trabalhos decorreram versando as temáticas relacionadas com os sistemas de informação em saúde, tentando os diversos organismos, entidades e empresas presentes, demonstrar as vantagens em aplicá-los nas instituições de saúde.
Foram apresentadas as soluções de três grandes empresas nesta área, que demonstraram o trabalho realizado até ao momento, nomeadamente: CPC-HS; Indra; IBM.
As diferentes intervenções abordaram o tema da INTEROPERABILIDADE, salientando que esta constitui o desafio fundamental para todos os sistemas de informação, principalmente os da área da saúde. Neste âmbito referiram a importância da normalização de conceitos e circuitos. A necessidade de compatibilizar e compartilhar a informação dos diferentes sistemas de informação, foi assumida como algo de fundamental para a qualidade do serviço.
O representante da IBM apresentou os resultados de um estudo sobre as perspectivas para a Saúde em 2015, realçando a necessidade de definir o que são resultados em Saúde (ex.: pagar resultados e não actividades); responsabilização dos doentes para a utilização racional dos recursos de Saúde (que são limitados como todos os outros) e transformação na provisão dos sistemas sanitários (necessidade de combater uma visão em blocos verticais, demonstrando existir vida inteligente para além dos hospitais).
Outro dos aspectos corroborados e veiculados por grande parte dos oradores, disse respeito ao Acesso do Cidadão à sua informação de modo a poder utilizá-la em diferentes momentos e em diferentes instituições. A este respeito referiram a necessidade de integração da informação, e dos processos, para facilitar o acesso do cidadão à informação. Referiram sobretudo a importância da estandardização da informação.
Ainda em relação à Integração da Informação, salientaram que: o trabalho num sistema único, simplifica a integração dos diferentes níveis assistenciais, o trabalho sobre um processo assistencial único facilita a interacção e integração dos profissionais, convertendo-se o problema de saúde no eixo estrutural da história clínica. Podem observar-se por processo, os episódios e os eventos activos e os resolvidos.
De acordo com a apresentação do Dr. Manuel Delgado, reportando-se às tecnologias de informação e comunicação e os novos desafios da gestão hospitalar, reforçou a ideia supracitada da Integração sistémica (horizontal e transversal), que visa responder à simultaneidade das prestações de saúde, a um processo mais resolutivo, a doentes com multipatologia, á gestão da doença e à gestão do doente.
O mesmo orador, referindo-se ás consequências destes sistemas de informação, referenciou a existência de processos clínicos tendencialmente únicos e universais, a pluralidade de agentes que acedem e manipulam a informação, bem como a versatilidade, compatibilidade e fluidez na comunicação da informação.
Um aspecto também apresentado foi o contributo dos sistemas de informação em saúde para a implementação de redes de referenciação de doentes crónicos. Estes permitirão uma eficaz coordenação dos dados a nível nacional, nomeadamente da mobilidade dos doentes, monitorização dos seus contactos, estado de saúde e dos seus consumos.
Foram também apresentados os benefícios para os utentes, em relação aos sistemas de informação referindo-se:
- Marcação e confirmação de consultas;
- Sistemas de pré-aviso;
- Domiciliação de serviços (telefones, call-centers, Internet)
- Sistemas automáticos de aviso (ex: quedas, idosos isolados)
- Monitorização à distância de parâmetros vitais;
- Telemedicina;
- Comodidade do pagamento de taxas e serviços.
De salientar também o projecto sistema de informação de saúde Açores Região Digital (SISARD), que integrará as diferentes soluções informáticas clínicas e não clínicas, dos diversos elementos do SRS, criando uma rede regional de saúde. Este projecto contempla uma história clínica única à volta da qual gravitam os diferentes pilares do sistema: o Cartão do Cidadão (Faz a autenticação de meios do sistema), o Hospital e Centro de Oncologia, os Cuidados de Saúde Primários e um Centro de Gestão e apoio à decisão.
Outro projecto apresentado no que respeita à interoperabilidade e desmaterialização do processo clínico consiste no sistema criado no Centro Hospitalar do Porto – Unidade Hospital Santo António. O sistema designado de AIDA consiste numa aplicação de interoperação, que partilha a informação de todas as ligações do hospital.
As principais características deste aplicativo segundo os seus responsáveis são ser global, permitindo gerir toda a actividade assistencial em saúde, ser flexível, orientado ao paciente e integrado.
Em relação à intervenção do nosso colega Enf. Élvio de Jesus, esta permitiu explanar o trabalho que a OE tem feito nesta matéria, bem como a importância que dá a estas novas tecnologias ao serviço da Saúde. Abordou de forma sumária a utilização da linguagem classificada CIPE e o resumo mínimo de dados de Enfermagem. As empresas presentes, solicitaram informação acerca da certificação dos sistemas de informação por eles desenvolvidos, sendo explicado todo o processo de candidatura, e os requisitos que terão que apresentar.
A problemática da mobilidade dos cidadãos europeus e o acesso equitativo à Saúde, foi abordada segundo a perspectiva de que actualmente e mais ainda no futuro, as pessoas vão procurar os serviços de saúde de maior eficácia e qualidade, mesmo que isso signifique ultrapassar fronteiras. Reforçou também a ideia de que em regiões fronteiriças, as pessoas e os próprios governos, recorrem a soluções mútuas, dando como exemplo a construção entre a Espanha e a França de um hospital com financiamento conjunto.
Notas de Síntese
-Importância da criação de mecanismos de Interoperabilidade entre os diferentes sistemas de informação;
- Repto às organizações de saúde e também profissionais para a uniformização de conceitos;
- Portabilidade dos dados em Saúde e centralidade da informação no cidadão;
- Processo clínico único e universal;
- Introdução de Sistemas de Informação nas USF;
- Avaliação de resultados através dos sistemas de informação;
- Reconhecimento das entidades e empresas presentes relativamente à importância dos profissionais de enfermagem no âmbito dos sistemas de informação em Saúde (quer pela disponibilidade e facilidade de compreensão e utilização, quer pela dimensão do seu trabalho no seio das organizações de saúde).



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